sábado, 28 de fevereiro de 2009

Fantasia de menina



Primeiros capítulos de uma história sobre o espelho da verdade....
(Nalva Melo com boneca do artista plástico Flávio Freitas, em noite de festa em seu café salão, na Ribeira boemia de sempre...)



Eu tenho uma amiga que deixa a gente na maior dúvida. Sua maior qualidade é nos fazer sonhar com um super visual, que nos resumirá à coisa mais linda da paróquia. A propaganda mais real que fazemos dela é assim: “olha, ela nos deixa à vontade, ela faz nossa cabeça, ela sabe o que está fazendo”. Porém, como somos inseguros por natureza, às vezes queremos dar pitaco em seu trabalho e não acreditamos que ela realmente sabe o que está dizendo e o que pretende fazer com nossas madeixas é de fato coerente.
Refiro-me à cabeleireira Nalva Melo. Eu e uma turma nada pequena de amigas e amigos cortamos o cabelo com ela. Quando encontro duas ou três "fregueses" reunidos percebo que existe algo que nos une além de nossa alegria de viver: o trato feito por Nalva deixa todo mundo lindo e maravilhoso, descolado por natureza. Pois bem, o que me suscitou a vontade de escrever sobre minha amiga foi um cabelo que eu pedi recentemente.
Como sempre, eu não sabia expressar o que queria, ela não aceita um tal de “aparadinha” e quase desisti, achando que Nalva queria tosar meus cabelos. Daí, na conversa, lembrei-me de que alguns anos atrás eu lhe pedira um visual de surfistinha. O verão estava começando e eu de mudança para a praia. Como eu tinha um visual muito urbano, cabelos curtinhos avermelhados, considerei que ficaria melhor de loira e tal. Realmente, ficou massa, com mechas largas feitas por Magali Bran, uma amiga linda suíça, que voltou para seu país, mas à época estagiava com Nalva.
Dessa vez, na semana passada, eu tentei dizer que não queria algo trabalhoso, enrolei, e no final me entreguei: eu queria um visual de adolescente, mas que combinasse comigo - lógico. Como sempre, à sua moda, ela fez o que eu queria, mas de um jeito que eu não entendi: com uma franjinha meio falseada, de lado, que eu não conseguia arrumar no primeiro dia, bateu-me um desespero e, por fim, entendi o sentido da coisa.
Comecei a receber mil elogios e quase parei o trânsito (exagero, hehe). Então, depois de tuuuudo, raciocinei sobre o que significa cortar o cabelo com Nalva. Ela é uma fada e ao mesmo tempo é bruxa. Encanta e desfaz feitiços. Ela nunca é nada porque é sempre tudo. E o que mais me deixa feliz é saber que, ao longo de nossa amizade, de nossas noitadas, de tanta coisa que passamos juntas, eu já emprestei minha cadeira e minha penteadeira uma pá de vezes para Nalva passar um batonzinho ou um lapisinho emprestado porque ela, a cabeleireira e maquiadora de artistas, políticos, gentes de todos os naipes, passando por patricinhas de plantão, muitas vezes sequer se dá conta de que também é gente. E, vamos combinar, qual o ser humano que não tem uma centelha de vaidade?
Acho que sei a resposta: Nalva Melo.

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