terça-feira, 10 de março de 2009

A vida em fita noir


Gosto muito dessa palavra - noir - que remete aos filmes com ar meio soturno, personagens com jeitão fora da lei, mulheres borrando a piteira com seus batons exageradamente vermelhos e ambientes com luminosidade difusa.

Hoje estou ansiosa e me sinto meio assim. Como se estivesse sempre noite, como se a verdade das coisas fosse entrar pela janela gritando chuvas de bala sobre mim. Hoje eu estou sendo um pouco exagerada, estou degustando frutas secas com café forte. Combino o gosto azedo do damasco com a crocância das castanhas.

Um dia me disseram qual era a droga das rainhas. Ou a rainha das drogas. Sou eu mesma a minha droga. O meu remédio. Eu quero ser à força uma veia aberta, jorrando sangue sem cessar.

Realmente, estou excedendo um pouco dos limites. Estou indo além de minha inocência, que seguramente ficou muito atrás, nos idos dos anos 20, antes mesmo de eu ter começado a existir. Somos impuros por natureza.

2 comentários:

MgP disse...

Adorei, Eli. Parabéns pelo blog bacaníssimo.
beijão,
Márcia

Mme. S. disse...

Lili, demorei mais cheguei. E me identifiquei no ato! Também estou com inclinações para o exagero. Minha alma não cabe nesse corpinho magro. Lindo seu blog, lindo.