Desejei chegar à idade em que estou do mesmo jeito que sempre me senti, livre. Digo que não é fácil conseguir tal proeza, vivendo nesse mundo de falsidades, cobranças e comportamentos previsíveis. Quando compro uma sacola retornável a apenas R$ 2, de material bom e condizente com minhas necessidades, tenho a impressão de que a minha sensação é a mesma de uma mulher que acabou de comprar a última geração da bolsa Prada, ou outra caríssima, enfim, que também se ajustasse às suas necessidades - nesse caso, não posso ser boazinha a não ser taxar de necessidades consumistas.
Comecei o assunto por essa via apenas para dizer que - após ensaiar meu tal grito de liberdade, de fazer questão de me ver livre de clichês, de nunca e jamais usar frases feitas (a não que me passe tão despercebido o ato a ponto de eu me sentir perdoada depois) - eu vivenciei um dia desses uma conversa sem futuro, esquisita, que me deixou no mínimo curiosa (ainda bem que não foi, furiosa).
Naquela mesma hora, lembrei-me, até com uma certa saudade, de uma ocasião - ocorrida anos atrás - em que um papo semelhante me deixara totalmente fora de mim, chorando aos borbotões, e agora, dessa vez, o que fiz foi fazer piaada sobre o assunto.
Palmas para mim, entonces.
Após vivenciar uns dias de amizade cheia de cores e sabores, sorrindo de acordo com a tirada do dia, eu me deparo com o meu amigo me dizendo que o verão acabou, e aí, o que cada um faria, e aí, eu não vou querer atrapalhar sua vidam, e aí... Perguntei o que realmente ele queria dizer com aquilo e percebi que na verdade era apenas um teste, para saber se eu estaria a fim de experimentar outras nuances daquela amizade.
Depois de desanuviar o papo, de dizer que eu sou uma pessoa livre, livre e solta, que acima de tudo sou amiga dele e disso faço questão prá toda vida, pensei sobre tudo aquilo e concluí: primeiro, quando acaba uma estação sempre começa outra. E quem dera fôssemos capazes de dissociar o que acontece numa estação de outra. Como se a cada três meses pudéssemos ser outras pessoas, ou viver outras vidas.
Aproveitando a deixa: eu quero é botar, meu bloco na rua...
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