sábado, 4 de julho de 2009

Crônica do amanhecer da vida

Foto: Eliade Pimentel


Hoje eu fugi de um lugar que é só meu. De um lugar onde é possível enxergar a luz dos sonhos. Sempre que saio desarvorada, é para lá que eu vou. Não é de hoje que eu vou desse jeito, pensativa, elucidativa, sonhadora e com os pés na lua. O coração sempre bate forte como se eu fosse perder o trem ou o bonde. Por que meus pensamentos são tão vorazes? Hoje eu fugi de amanhecer pensando a vida. Hoje eu não estou lá, estou cá bem distante.

Sou livre, rotulo até mesmo esse prazer de gritar minha condição para quem se enxerga no fundo do poço. Hoje sou eu, amanhã sou você. Impossível ser duas ou dois ao mesmo tempo. Possível estar só e não se sentir só. Hoje você me diz o que fazer. Amanhã sou eu que vou lhe dizer como fazer. Para onde for, de onde partirá o meu amor. Aproveito a rima agora para abrir meu coração, que está vermelho por fora e por dentro.

Da janela do amanhecer, penso que um dia estarei olhando o pôr do sol. Ora é possível ver a luz que brilha em seus olhos, por vezes não há outro jeito de mirar a grandeza de tua alma - sempre que volto, é a mim que chama e diz que ama. Com teu jeito simples, diz apenas I like you. E eu finjo que não entendi seu inglês.

Hoje eu fugi de ser feliz ao sul de mim mesma. Ao sol da minha alma. Ao norte do meu coração. A oeste dos meus sonhos. Hoje eu fugi ao leste desse raio de sol das primeiras horas do dia.





Um comentário:

DR.TÍMPANO - BSB/DF disse...

Lindo e inspirado poema Pimentel. Imaginei você em Baía Formosa, nos braços de seu amado esperando quietinha os primeiros raios de sol.

Escreva mais desses miga que faz bem pra gente!

Beijos,

Rubens